Rigidez da Lei Seca altera comportamento dos motoristas

Rigidez da Lei Seca altera comportamento dos motoristas

Por meio da nova resolução 432 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) – publicada em 29 de janeiro de 2013 no Diário Oficial da União -, as ações de fiscalização da Lei Seca passaram a ser mais rígidas em todo o país. Na prática, os motoristas puderam sentir os reflexos da aplicação mais severa durante o período do Carnaval.

O objetivo do Contran é que a fiscalização do uso de álcool ou substâncias psicoativas que determinem dependência pelos motoristas seja realizada por autoridades de trânsito em procedimento operacional rotineiro. A medida (em vigor desde dezembro de 2012) prevê ainda que após a confirmação da embriaguez – que pode ocorrer por meio de exame de sangue e/ou teste do bafômetro – o condutor receba uma autuação administrativa.

Dirigir alcoolizado é considerado uma infração gravíssima com penalidade que inclui multade R$ 1.915,30, recolhimento da habilitação e suspensão do direito de dirigir por 12 meses, além da retenção do veículo. Com o conceito “Dirigir alcoolizado é crime e pode dar cadeia”, a campanha da “Lei Seca ao volante” vem, desde 2009 (seu primeiro ano de existência), sendo divulgada em âmbito nacional com o objetivo de diminuir a incidência de mortes no trânsito provocadas pela combinação de álcool e direção.

Mudança de postura no trânsito

De acordo com o comandante da Operação Lei Seca no Estado do Rio de Janeiro, major Marco Andrade, a mudança na legislação – que baixou os índices de tolerância – gerou uma mudança de comportamento muito grande por parte dos motoristas. “Somado a isso, temos realizado um intenso trabalho de conscientização que já completa quatro anos de ações ininterruptas e que visa informar a sociedade sobre os perigos de beber e dirigir”, afirma.

Segundo o major, no feriado do Carnaval deste ano o Estado registrou 40% de redução nos casos de alcoolemia em relação ao mesmo período de 2012 (dados da Polícia Rodoviária Federal). Entretanto, o resultado positivo já vem se destacando há cerca de 10 anos no Rio.

“Realizamos campanhas permanentes, de domingo a domingo, com viés preventivo no intuito de conscientizar as pessoas acerca da dura realidade do trânsito atual e obtivemos, de 2009 a 2011, redução de 34% no número de óbitos nas estradas estaduais”, explica.

Para educar a população, 33 agentes cadeirantes – vítimas de acidentes envolvendo motoristas bêbados -, circulam pela cidade entregando folhetos da Operação Lei Seca.

“Existem exemplos positivos de baladas e casas noturnas que abrem espaço para que a mensagem seja transmitida aos seus frequentadores”, completa. No início da operação, cerca de 20% dos estabelecimentos eram fiscalizados. “Hoje, passamos de um milhão, o que representa 86% do total da cidade”, finaliza o comandante.

Rotina alterada devido à Lei Seca

O produtor de TV Sandro Tanaka, de Niterói (RJ), conta que, apesar de beber pouco, pensa duas vezes antes de tomar uma cerveja e dirigir, devido à aplicação rígida da Lei Seca no Estado. “Outro dia comi um bombom de licor em uma festa e já fiquei preocupado com a possibilidade de ser parado pela operação em alguma blitze”, relata. Se houver a oportunidade de passar o volante para alguém que não tenha bebido, ele prefere. “Caso contrário, não bebo”, afirma.

Ainda segundo o produtor, apesar de a aplicação mais rígida da lei diminuir o número de acidentes, ela também acaba por ser injusta com alguns. “Sinto-me pressionado a não beber nem uma taça de vinho em um jantar, por exemplo, sob a pena de perder a habilitação. Isso se deve às pessoas que passam dos limites”, opina. Em sua visão, outro problema reside na falta de opções para transporte. “O público ainda é ruim e os táxis cobram preços altos, assim fica difícil”, observa.

Entretanto, de forma geral, Tanaka avalia como positiva a repercussão da Lei Seca entre seus amigos e familiares. “Sempre ouvimos alguém comentar – ‘Olha a Lei Seca’ -, quando estamos em uma confraternização”, conclui.

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