VW Virtus: ele não é simplesmente o sedã do VW Polo

VW Virtus: ele não é simplesmente o sedã do VW Polo

Pelo contrário: o novo sedã da Volks é um carro com qualidades e personalidade que me surpreenderam positivamente

Lucca Rasera Mendonça

Nos cerca de 44 anos que tenho de vida profissional como jornalista especializado na área automotiva, já vi de tudo: carros que, só de olhar, percebia-se que seriam um grande fracasso, enquanto outros exalavam simpatia e já deixavam claro a sua futura trajetória de sucesso. Errei muito pouco ao longo dessas quatro décadas. Comecei a acompanhar o projeto do VW Polo quando ele ainda engatinhava como uma ideia promissora. Mas sabia que o carro tinha ingredientes para ser um sucesso de vendas: sólido, com preço bastante competitivo e com alta tecnologia em seus componentes eletrônicos. Até agora, o mercado está mostrando que minhas impressões não eram apenas palpites.

Tinha conhecimento com antecedência de que existiria uma versão sedã desse novo Polo e a expectativa era se o modelo seria simplesmente uma versão de três volumes do hatch ou um carro com personalidade própria. Recebi um Virtus Highline completo e com todos os opcionais, exceto os bancos forrados em couro, que nesse carro avaliado eram de tecido. Passei a utilizar o carro por um período no meu dia a dia e aí tive a grande surpresa: o Virtus é um carro com qualidades e personalidade que me surpreenderam positivamente.

Vamos começar pela estrutura monobloco: sólida e muito bem amarrada, passa uma agradável sensação de segurança e silêncio ao rodar. E essa solidez se reflete também na direção precisa e nas suspensões, que realmente trabalham ao invés de ficarem torcendo o monobloco e criando imprecisões na direção, nas próprias suspensões e até ruídos desagradáveis pela carroceria.

Ao fechar as portas, percebe-se o cuidado com essa precisão e a rigidez da carroceria: elas emitem aquele som surdo, do tipo ”tuf”. Parece até mesmo um carro de categoria superior. Os crash-tests do LatinNCap também atestaram as qualidades do monobloco do Virtus: Foram cinco estrelas de cinco possíveis. Um carro bem seguro, mesmo para os padrões atuais.

A alta tecnologia construtiva que a engenharia da Volkswagen optou por utilizar no Virtus mostra resultados surpreendentes no quesito consumo de combustível. Equipado de série com câmbio automático de seis marchas e motor tricilíndrico de 1 litro, superalimentado por um turbo e dotado de injeção direta de combustível, a exemplo do Polo, o compacto motor mostrou-se, ao mesmo tempo, ser potente (128 cv), torcudo (200Nm ou 20,4mkgf) e econômico (na estrada, abastecido com gasolina, rodando a cerca de 100 km/h, era fácil chegar na marca de 18 ou 19 km/l. Com etanol, nas mesmas situações, as medições ficam na casa de 14 a 15 km/l). As marcas de consumo podem ser consideradas excelentes para um carro de quase 4,50 metros de comprimento. Para isso serve a alta tecnologia: desempenho brilhante (0-100 km/h em pouco menos de 10 segundos e velocidade máxima de 194 km/h), sem que esse bom desempenho signifique alto consumo. Um bom trabalho de engenharia.

Algumas coisas na vida são divididas por uma simples linha. Chegou Virtus. Desenhado para ser seu.

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