Celular é levado em 57% dos roubos em SP

Celular é levado em 57% dos roubos em SP.

Documentos e cartões de crédito também lideram “interesse” nos assaltos.

Em 17% das ocorrências de roubo, o celular era alvo dos bandidos
Em 17% das ocorrências de roubo, o celular era alvo dos bandidos Getty Images

Se você já teve documento, dinheiro e celular roubados de forma violenta enquanto caminhava pela rua, saiba que se encaixa no perfil mais comum de vítima de crime no Estado de São Paulo. É o que mostra um levantamento da Secretaria da Segurança Pública sobre roubos registrados no Estado entre os meses de janeiro e junho deste ano.

Roubo é o tipo de crime que mais cresce em São Paulo. Está no 13.º mês seguido de alta, no Estado e na capital. No primeiro semestre, aumentou 29,5% e 38%, respectivamente. Só em junho, a cada hora foram 35 casos no Estado e 18 na capital.

Os números mostram que, em 57% dos casos, os ladrões roubaram o celular, entre outros pertences das vítimas. Em 17% das ocorrências, o alvo dos criminosos era unicamente o aparelho de telefonia.

A auxiliar de vendas Caroline Lopes Binhardi, de 19 anos, havia acabado de sair da estação Carandiru do Metrô, há alguns meses, e ia para uma feira de cultura japonesa na zona norte de São Paulo. Distraída, ela olhava no recém-comprado smartphone as direções para a feira, quando passou por dois rapazes.

— Vacilei. Quando olhei para trás, eles gritaram ‘”dá o celular”, e tive de dar.

Depois disso, ela afirma que passou a ter mais cuidado na rua.

— Não mexo mais no telefone. Deixo escondido na roupa. Quando preciso usar, entro em uma loja, algum comércio, e falo. Eu tinha ganhado o celular da minha mãe e foi o primeiro telefone bom que eu tive.

Um assalto também mudou a rotina da engenheira Melanie Oliveira, de 25 anos, moradora do Jardim Aeroporto, na zona sul. Ela desceu de seu apartamento para passear com o cachorro na quadra do prédio, em 15 de julho, e, ao virar uma esquina, foi abordada por dois homens em uma moto que exigiram seu celular.

— Agora, para passear com o cachorro, eu vou de carro até alguma praça próxima e deixo o celular em casa. Ou desço com alguém. Sozinha eu não vou mais.

Documentos

Na vice-liderança, os documentos são levados em 54% dos roubos, logo atrás de ocorrências envolvendo celulares. A polícia considera nessa categoria não só o RG ou a carteira de motorista, mas também os cartões bancários, de débito ou de crédito.

A tendência do paulistano de substituir o dinheiro pelos cartões, aliás, é representada pela estatística de criminalidade. Em 9% dos roubos, os ladrões pegam cartões; o índice está cada vez mais perto dos roubos em que dinheiro em espécie também é levado (10%). E outro destaque mostra como as notas estão cada vez mais em desuso: só em 3% dos casos o criminoso leva somente dinheiro.

Carros

Embora o roubo de carros seja um delito que tenha apresentado queda estatística no último mês (redução de 2,5% no Estado em relação a junho do ano passado e de 9% em relação ao mês de maio), ele ainda está em alta no semestre (13% e 9,5%, respectivamente).

“O roubo de veículo é uma das causas de latrocínio (roubo em que o ladrão termina por matar a vítima)”, avaliou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) há pouco mais de uma semana, quando divulgou os dados mais recentes da violência.

O perfil dos roubos no Estado feito pela Secretaria da Segurança mostra que 20% dos assaltos ocorridos em São Paulo têm carros como alvos. Além disso, segundo os índices, em 7% dos casos, a pessoa teve objetos roubados por um assaltante quando estava dentro de um veículo — aguardando o semáforo abrir, por exemplo.

Na quinta-feira (31), o empresário Cláudio Denani, de 26 anos, entrou assustado no 16.º DP (Vila Clementino) depois que roubaram o seu Volvo, à mão armada, em uma rua da Vila Mariana, na zona sul.

— Eu estava chegando ao escritório, por volta das 20h, saí do carro para abrir o portão e chegou um homem apontando a arma para mim e exigindo a chave.

O celular e roupas de ginástica ficaram no veículo.

O empresário registrou o boletim de ocorrência e já pensa em adotar uma solução drástica.

— Estou muito assustado. Vou rever a possibilidade de abrir o comércio que eu estava montando no bairro depois do assalto.

A supervisora de importação Neidejane Ferreira Bandet, de 38 anos, passou por uma situação parecida.

— Estacionei o carro na frente da escola em que estuda minha filha de quatro anos. Quando eu saí do carro, um homem armado me abordou e mandou que eu entregasse a chave. Fiquei sem nada, já que minha bolsa também estava no veículo.

Segundo Neidejane, a rua deserta e escura no Jabaquara, também na zona sul, favoreceu o crime.

— Já tinham me assaltado há dez anos, dentro do carro, e a partir daí eu só andava com os vidros fechados. Agora vou ter de tomar ainda mais cuidado para não acontecer novamente.

Fonte: Estadão